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=PARA VIVER COM POESIA=

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as
únicas que o vento não consegue levar:
um estribilho antigo, o carinho no momento preciso,
o folhear de um livro,
o cheiro que um dia teve o próprio vento...

=(Mário Quintana - Para Viver Com Poesia)=





...







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sábado, 10 de outubro de 2015

(Rubem Alves)


Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar...

(Rubem Alves)

terça-feira, 31 de março de 2015

=Rubem Alves=♥


Meu Tempo tornou-se Escasso para Debater rótulos,
quero a Essência, minha alma Tem pressa ...
..........
=Rubem Alves=

sexta-feira, 20 de março de 2015

=Rubem Alves= Compreendi ...


Compreendi, então,
que a vida não é uma sonata que,
para realizar a sua beleza,
tem de ser tocada até o fim.
Dei-me conta, ao contrário,
de que a vida é um álbum de mini-sonatas.
Cada momento de beleza vivido e amado,
por efêmero que seja,
é uma experiência completa
que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e amor
justifica a vida inteira.

=Rubem Alves=

sábado, 19 de julho de 2014

A PIPA E A FLOR _♥ Rubem Alves♥


Poucas pessoas conseguiram definir tão bem os caminhos do amor como Rubens Alves, numa fábula surpreendente, cujos personagens são uma pipa e uma flor.

A história começa com algumas considerações de um personagem que deduzimos ser um velho sábio. Ele observa algumas pipas presas aos fios elétricos e aos galhos das árvores e afirma que é triste vê-las assim, porque as pipas foram feitas para voar. Acrescenta que as pessoas também precisam ter uma pipa solta dentro delas para serem boas. Mas aponta um fator contraditório: para voar, a pipa tem que estar presa numa linha e a outra ponta da linha precisa estar segura na mão de alguém. Poder-se-ia pensar que, cortando a linha, a pipa pudesse voar mais alto, mas não é assim que acontece. Se a linha for cortada, a pipa começa a cair.

Em seguida, ele narra a história de um menino que confeccionou uma pipa. Ele estava tão feliz, que desenhou nela um sorriso. Todos os dias, ele empinava a pipa alegremente. A pipa também se sentia feliz e, lá do alto, observava a paisagem e se divertia com as outras pipas que também voavam.

Um dia, durante o seu vôo, a pipa viu lá embaixo uma flor e ficou encantada, não com a beleza da flor, porque ela já havia visto outras mais belas, mas alguma coisa nos olhos da flor a havia enfeitiçado. Resolveu, então, romper a linha que a prendia à mão do menino e dá-la para a flor segurar. Quanta felicidade ocorreu depois! A flor segurava a linha, a pipa voava; na volta, contava para flor tudo o que vira
Acontece que a flor começou a ficar com inveja e ciúme da pipa. Invejar é ficar infeliz com as coisas que os outros têm e nós não temos; ter ciúme é sofrer por perceber a felicidade do outro quando a gente não está perto. A flor, por causa desses dois sentimentos, começou a pensar: se a pipa me amasse mesmo, não ficaria tão feliz longe de mim…
Quando a pipa voltava de seu vôo, a flor não mais se mostrava feliz, estava sempre amargurada, querendo saber com que a pipa estivera se divertindo. A partir daí, a flor começou a encurtar a linha, não permitindo à pipa voar alto. Foi encurtando a linha, até que a pipa só podia mesmo sobrevoar a flor.

Esta história, segundo conta o autor, ainda não terminou e está acontecendo em algum lugar neste exato momento.
Há três finais possíveis para ela:

1 – A pipa, cansada pela atitude da flor, resolveu romper a linha e procurar uma mão menos egoísta.
2 – A pipa, mesmo triste com a atitude da flor, decidiu ficar, mas nunca mais sorriu.
3 – A flor, na verdade, era um ser encantado. O encantamento quebraria no dia em que ela visse a felicidade da pipa e não sentisse inveja nem ciúme. Isso aconteceu num belo dia de sol e a flor se transformou numa linda borboleta e as duas voaram juntas.

A Pipa e a Flor – São Paulo, Edições Loyola
http://www.angela.amorepaz.nom.br/apipaeaflor.htm

EDUCAR – ♥Rubem Alves ♥ 1933-2014+


EDUCAR por Rubem Alves.
Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: Veja! – e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente, e, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.
Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação – mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à importância do olhar na educação, em qualquer deles.
A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo. Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido. Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.
Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam. As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.
São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.
(texto extraído do pps que circula na net)

PENSAMENTO – ♥ Rubem Alves ♥


Todas as palavras tomadas literalmente são falsas.
A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras.
Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas.
A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada.
Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!

= Rubem Alves=

♥Rubem Alves, EU MAIOR =19 /07/2014=♥


Trechos da entrevista com Rubem Alves. Documentário EU MAIOR,
sobre autoconhecimento e busca da felicidade.
http://www.eumaior.com.br

♥Rubem Alves♥ Falecimento =19 /07 /2014.


O que é que se encontra no início?
O jardim ou o jardineiro?
É o jardineiro.
Havendo um jardineiro,
mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá.
Mas, havendo um jardim sem jardineiro,
mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá.
O que é um jardineiro?
Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins.
O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro.
O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.

—Rubem Alves, 2002-

domingo, 9 de março de 2014

=Rubem Alves=


A paixão é emoção gratuita.
Não há causas que a expliquem.
Mas, quando acontece, ela age como uma artista:
da paixão surgem cenas de beleza.
Os amantes se imaginam andando de mãos dadas
por campos floridos; abraçados numa rede; silenciosos,
diante do fogo da lareira; contemplando o rosto de
um nenezinho adormecido... Paisagens de paixão.

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas
escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são
apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da
beleza tem de vir antes".

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos,
os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste
e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos,
eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto,
defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma
maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a
bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto
que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido
pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não existe coisa alguma que seja do tamanho
do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)
Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena
retornará à sua condição de sonho impossível da alma.
E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto
algum poderá satisfazer...

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros
desaprendam a arte do vôo.
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar
aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo,
isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro
dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado.
Só pode ser encorajado.

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar.
E o vemos então pela primeira vez.Para isso caminhamos a
vida inteira:para chegar ao lugar de onde partimos.E, quando chegamos,
é surpresa.È como se nunca o tivéssemos visto.Agora, ao final
de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice,
de saudade.

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


Toda alma é uma música que se toca.

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer,
um tempo que deixou de ser, não mais existe.Fósforo que foi
riscado.Nunca mais acenderá.Daí a profunda sabedoria do ritual
de soprar as velas em festa de aniversário.Se uma vela acesa é
símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.

=Rubem Alves=

=Rubem Alves=


Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.”

=Rubem Alves=

quarta-feira, 5 de março de 2014

♥Rubem Alves♥


Que imagem mais fiel de felicidade,
poderia haver? - Um cão é a ternura.
- Você pode estar certo disto,
- que nunca o abandonará.
Metáfora do amor incondicional,
do olhar que sempre perdoa,
da presença que está sempre ali.
   Perceber isto, eu acho,
   é ficar um pouco mais sábio.


_________________Rubem Alves

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