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=PARA VIVER COM POESIA=

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as
únicas que o vento não consegue levar:
um estribilho antigo, o carinho no momento preciso,
o folhear de um livro,
o cheiro que um dia teve o próprio vento...

=(Mário Quintana - Para Viver Com Poesia)=





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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

*Coletânea de Frases e Poemas de Clarice Lispector, (BIOGRAFIA)



“Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências,
me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos”

― Clarice Lispector-
10 de dezembro de 1920 Morte: 9 de dezembro de 1977 (56 anos)
Ocupação: Contista
Biografia: Clarice Lispector, nascida Haia Pinkhasovna Lispector foi uma escritora
e jornalista brasileira, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.

- http://kdfrases.com

sábado, 21 de junho de 2014

Meu Deus, me dê a coragem =Clarice Lispector=


Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos
e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de
considerar esse vazio como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber
como resposta o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as
Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo. Receba em teus
braços o meu pecado de pensar.

=Clarice Lispector=

=Clarice Lispector=


Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

=Clarice Lispector=

sábado, 19 de abril de 2014

=Clarice Lispector=


Oh chega de decepções,
estou tão machucada,
me doem a nuca, a boca, os tornozelos,
fui chicoteada nos rins.
Um sopro de vida.

=Clarice Lispector=

segunda-feira, 3 de março de 2014

Por Não Estarem Distraídos – Clarice Lispector-(CRÔNICA ,COM VÍDEO)


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

( Clarice Lispector )
(do livro A Descoberta do mundo: crônicas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 508)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

- Clarice Lispector -


“Não suporto meios termos.
Por isso, não me doo pela metade.
Não sou sua meio amiga nem seu quase amor.
Ou sou tudo ou sou nada”

- Clarice Lispector -

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

♫ =Clarice Lispector =♫


...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Passei a vida tentando corrigir os
erros que cometi na minha ânsia de acertar.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver
o que não entendo quero sempre ter a garantia
de pelo menos estar pensando que entendo,
não sei me entregar à desorientação.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Não tenho tempo pra mais nada,
ser feliz me consome muito.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões é que se
ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho,
pensei que amar é fácil.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer, porque no
momento em que tento falar não só não exprimo
o que sinto como o que sinto se transforma
lentamente no que eu digo.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Suponho que me entender não é uma questão
de inteligência e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Não quero ter a terrível limitação de quem vive
apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que
a presença é pouco: quer-se absorver a outra
pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para
uma unificação inteira é um dos sentimentos
mais urgentes que se tem na vida.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Liberdade é pouco.
O que eu desejo ainda não tem nome.

♫ =Clarice Lispector =♫

♫ =Clarice Lispector =♫


Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

♫ =Clarice Lispector =♫

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