Eu ando sozinha por cima de pedras.
Mas a flor é minha.
Os meus passos no caminho são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.
=Cecília Meireles=
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=PARA VIVER COM POESIA=
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar: um estribilho antigo, o carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que um dia teve o próprio vento...
O que importa notar é que todas essas multidões de mortos
--por uma causa justa ou injusta-- são os figurantes
anônimos da tragédia universal e humana.
Quinze anos! é a idade das primeiras palpitações, a idade
dos sonhos, a idade das ilusões amorosas, a idade de Julieta;
é a flor, é a vida, e a
esperança, o céu azul, o campo verde, o lago tranqüilo,
a aurora que rompe, a calhandra
que canta, Romeu que desce a escada de seda,
o último beijo que as brisas da manhã
ouvem e levam, como um eco, ao céu.
Por que sinto falta de você?
Por que está saudade?
Eu não te vejo mas imagino suas expressões,
sua voz teu cheiro.
Sua amizade me faz sonhar com um carinho,
Um caminhar, a luz da lua, a beira mar.
Saudade este sentimento de vazio que me tira o sono
me fazendo sentir num triste abandono,
é amizade eu sei, será amor talvez...
Só não quero perder sua amizade, esta amizade...
Que me fortalece me enobrece por ter você.
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?