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=PARA VIVER COM POESIA=

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as
únicas que o vento não consegue levar:
um estribilho antigo, o carinho no momento preciso,
o folhear de um livro,
o cheiro que um dia teve o próprio vento...

=(Mário Quintana - Para Viver Com Poesia)=





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sábado, 19 de julho de 2014

CURTA HISTÓRIA – Machado de Assis


A leitora ainda há de lembrar-se do Rossi, o ator Rossi, que aqui nos deu tantas obras-primas do teatro inglês francês e italiano. Era um homenzarrão, que uma noite era terrível como Otelo, outra noite meigo como Romeu. Não havia duas opiniões quaisquer que fossem as restrições, assim pensava a leitora, assim pensava uma D. Cecília que está hoje casada e com filhos.

Naquele tempo esta Cecília tinha dezoito anos e um namorado. A desproporção era grande; mas explica-se pelo ardor com que ela amava aquele único namorado, Juvêncio de Tal. Note-se que ele não era bonito, nem afável, era seco, andava com as pernas muito juntas, e com a cara no chão, procurando alguma coisa A linguagem dele era tal qual a pessoa, também seca, e também andando com os olhos no chão, uma linguagem que, para ser de cozinheira, só lhe faltava sal. Não tinha idéias, não apanhava mesmo as dos outros; abria a boca, dizia isto ou aquilo, tornava a fechá-la, para abrir e repetir a operação.


Muitas amigas de Cecília admiravam-se da paixão que este Juvêncio lhe inspirava, todas contavam que era um passatempo, e que o arcanjo que devia vir buscá-la para levá-la ao paraíso, estava ainda pregando as asas; acabando de as pregar; descia, tomava-a nos braços e sumia-se pelo céu acima. Apareceu Rossi, revolucionou toda a cidade. O pai de Cecília prometeu à família que a levaria a ver o grande trágico. Cecília lia sempre os anúncios; e o resumo das peças que alguns jamais davam. Julieta e Romeu encantou-a, já pela notícia vaga que tinha da peça, já pelo resumo que leu em uma folha, e que a deixou curiosa e ansiosa. Pediu ao pai que comprasse bilhete, ele comprou-o e foram.

Juvêncio, que já tinha ido a uma representação, e que a achou insuportável (era Hamlet) iria a esta outra por cansa se estar ao pé de Cecília, a quem ele amava deveras; mas por desgraça apanhou uma constipação, e ficou em casa para tomar um suadouro, disse ele. E aqui se vê a singeleza deste homem que podia dizer enfaticamente – um sudorífico: – mas disse como mãe lhe ensinou, como ele ouvia à gente de casa. Não sendo coisa de cuidado, não entristeceu muito a moça, mas sempre lhe ficou algum pesar de o não ver ao pé de si. Era melhor ouvir Romeu e olhar para ele…

Cecília era romanesca, e consolou-se depressa. Olhava para o pano, ansiosa de o ver ergues-se. Uma prima, que ia com ela, chamava-lhe a atenção para as toilettes elegantes, ou para as pessoas que iam entrando; mas Cecilia dava a tudo isso um olhar distraído. Toda ela estava impaciente de ver subir o pano.

- Quando sobe o pano? perguntava ela ao pai.
- Descansa, que não tarda.

Subiu afinal o pano, e começou a peça. Cecília não sabia inglês nem italiano. Lera uma tradução da peça cinco vezes, e, apesar disso, levou-a para o teatro. Assistiu às primeiras cenas ansiosa. Entrou Romeu, elegante e belo, e toda ela comoveu-se; viu depois entrar a divina Julieta, mas as cenas eram diferentes, os dois não se falavam logo; ouviu-os, porém, falar no baile de máscaras, adivinhou o que sabia, bebeu de longe as palavras eternamente belas, que iam cair dos lábios de ambos. Foi o segundo ato que as trouxe; foi aquela cena imortal da janela que comoveu até as entranhas a pessoa de Cecília. Ela ouvia as de Julieta. como se ela própria as dissesse; ouvia as de Romeu, como se Romeu falasse a ela própria. Era Romeu que a amava. Ela era Cecília ou Julieta, ou qualquer outro nome, que aqui importava menos que na peça “Que importa um nome?” perguntava Julieta no drama; e Cecília com os olhos em Romeu parecia perguntar-lhe a mesma coisa. “Que importa que eu não seja a tua Julieta? Sou a tua Cecília, seria a tua Amélia, a tua Mariana; tu é que serias sempre e serás o meu Romeu.”

A comoção foi grande. No fim do ato, a mãe notou-lhe que ela estivera muito agitada durante algumas cenas.

- Mas os artistas são bons! explicava ela.

- Isso é verdade, acudiu o pai, são bons a valer. Eu, que não entendo nada, parece que estou entendendo tudo…

Toda a peça foi para Cecília um sonho. Ela viveu, amou, morreu com os namorados de Verona E a figura de Romeu vinha com ela, viva e suspirando as mesmas palavras deliciosas. A prima, à saída, cuidava só da saída. Olhava para os moços. Cecília não olhava para ninguém, deixara os olhos no teatro, os olhos e o coração…

No carro, em casa ao despir-se para dormir, era Romeu que estava com ela; era Romeu que deixou a eternidade para vir encher-lhe os olhos. Com efeito, ela sonhou as mais lindas cenas do mundo, uma paisagem, uma baía, uma missa, um pedaço daqui, outro dali, tudo com Romeu, nenhuma vez com Juvêncio.

Nenhuma vez pobre Juvêncio! Nenhuma vez. A manhã veio com as suas cores vivas; o prestígio da noite passara um pouco, mas a comoção ficara ainda, a comoção da palavra divina. Nem se lembrou de mandar saber de Juvêncio; a mãe é que mandou lá, como boa mãe, porque este Juvêncio tinha certo número de apólices, que… Mandou saber; o rapaz estava bom; lá iria logo.

E veio, veio à tarde, sem as palavras de Romeu, sem as idéias, ao menos de toda a gente, vulgar, casmurro, quase sem maneiras; veio, e Cecília, que almoçara e jantara com Romeu, lera a peça ainda uma vez durante o dia, para saborear a música da véspera. Cecília apertou-lhe a mão, comovida, tão somente porque o amava. Isto quer dizer que todo amado vale um Romeu. Casaram-se meses depois; têm agora dois filhos, parece que muito bonitos e inteligentes. Saem a ela.

Fonte: Covil do Orc

sexta-feira, 21 de março de 2014

- Um homem inteligente falando das mulheres -=Luís Fernando Veríssimo=


"Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo
e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim,
e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém
viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe
flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.
Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha
uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar,
você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós
para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza
para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará
salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.
Só tem mulher quem pode!"

=Luís Fernando Veríssimo=

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Cronica;(Arnaldo Jabor)


"É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada,
se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre
e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a
sequência de bíceps e tríceps.

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite?
O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira.
Pode até ser meio mal educada quando você larga
a cueca no meio da sala, mas e daí?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução.
Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"

(Arnaldo Jabor)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Quem Namora. =Artur da Távola=


Quem namora agrada a Deus.
Namorar é a forma bonita de viver um amor.
Não namora quem cobra nem quem desconfia.
Namora, quem lê nos olhos e sente no coração
as vontades saborosas do outro.
Namora, quem se embeleza em estado de amor
A pele melhor, o olhar com brilho de manhã.
Namora, quem suspira, quem não sabe esperar,
mas espera, quem se sacode de taquicardia e
timidez diante da paixão. Namora, quem ri por bobagem,
quem entra em estado de música da Metro,
quem sente frios e calores nas horas menos recomendáveis.
Não namora quem ofende, quem transforma a relação num inferno,
ainda que por amor. Amor às vezes entorta, sabia?
E quando acontece, o feito pra bom faz-se ruim.
Não namora quem só fala em si e deseja o parceiro
apenas para a glória do próprio eu.
Não namora quem busca a compreensão para a sua parte ruim.
O invejoso não namora. Tampouco o violento! Namorados que
se prezam tem a sua música. E não temem se derreter quando ela toca.
Ou, se o namoro acabou, nunca mais dela se esquecem.
Namorados que se prezam gostam de beijo, suspiro,
morderem o mesmo pastel, dividir a empada, beber no mesmo copo.
Apreciam ternurinhas que matam de vergonha fora do namoro ou lhes
parecem ridículas nos outros. Por falar em beijo, só namora
quem beija de mil maneiras e sabe cada pedaço e gostinho da boca amada.
Beijo de roçar, beijo fundo, inteirão, os molhados, os de língua,
beijo na testa, beijo livre como o pensamento, beijo na hora certa
e no lugar desejado. Sem medo nem preconceito. Beijo na face,
na nuca e aquele especial atrás da orelha no lugar que só ele ou ela conhece.
Namora, quem começa a ver muito mais no mesmo que sempre viu e
jamais reparou. Flores, árvores, a santidade, o perdão, Deus,
tudo fica mais fácil para quem sabe de verdade o que é namorar.
Por isso só namora quem se descobre dono de um lindo amor,
tecido do melhor de si mesmo e do outro. Só namora quem não
precisa explicar, quem já começa a falar pelo fim, quem consegue
manifestar com clareza e facilidade tudo o que fora do namoro é complicado.
Namora, quem diz: "Precisamos muito conversar"; e quem é capaz
de perder tempo, muito tempo, com a mais útil das inutilidades e
pensar no ser amado, degustar cada momento vivido e recordar palavras,
fotos e carícias com uma vontade doida de estourar o tempo e embebedar-se
de flores astrais. Namora, quem fala da infância e da fazenda das férias,
quem aguarda com aflição, o telefone tocar e dá um salto para atendê-lo
antes mesmo do primeiro trim. Namora quem namora, quem à toa chora,
quem rememora, quem comemora datas que o outro esqueceu.
Namora quem é bom, quem gosta da vida, de nuvem, de rio gelado
e de parque de diversões. Namora quem sonha, quem teima,
quem vive morrendo de amor e quem morre vivendo de amar.

=Artur da Távola=

sábado, 18 de janeiro de 2014

O Tijolo.


Um jovem e bem sucedido executivo dirigia
na vizinhança, correndo em seu novo Jaguar.
Observando crianças se lançando entre os carros
estacionados, diminuiu um pouco a velocidade,
quando achou ter visto algo.
Enquanto passava, nenhuma criança apareceu.
De repente um tijolo espatifou-se na porta lateral do Jaguar.
Freou bruscamente e deu ré até o lugar de onde teria
vindo o tijolo.
Saltou do carro e pegou bruscamente uma criança empurrando-a
contra um veículo estacionado e gritou:
- Por que você fez isto? Quem é você? Que besteira você
pensa que está fazendo?
Este é um carro novo e caro, aquele tijolo que você
jogou vai me custar muito dinheiro.
Por que você fez isto?
- Por favor senhor me desculpe, eu não sabia mais o que fazer!
Implorou o pequeno menino
- Ninguém estava disposto a parar e me atender neste local.
Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto apontava
na direção dos carros estacionados.
- É o meu irmão. Ele desceu sem freio e caiu de sua cadeira
de rodas e eu não consigo levantá-lo.
Soluçando, o menino perguntou ao executivo:
- O senhor poderia me ajudar a recoloca-lo em sua cadeira de rodas?
Ele está machucado e é muito pesado para mim.
Movido internamente muito além das palavras, o jovem motorista
engolindo "nó imenso" dirigiu-se ao jovenzinho, colocando-o
em sua cadeira de rodas.
Tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões, verificando
se tudo estava bem.
- Obrigado e que meu Deus possa abençoá-lo A grata criança disse
a ele. O homem então viu o menino se distanciar...
empurrando o irmão em direção à sua casa.
Foi um longo caminho de volta para o Jaguar...
um longo e lento caminho de volta.
Ele nunca consertou a porta amassada.
Deixou amassada para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida,
que alguém tivesse que atirar um tijolo para obter a sua atenção.
Deus sussurra em nossas almas e fala aos nossos corações.
Pense nisso, Deus é bom e está sempre esperando por todos nós...

(Autor desconhecido)

Aquele que não pune o mal, permite que ele seja feito.


Recentemente vi uma estatística dizendo que uma pessoa
normal têm em média 60.000 pensamentos no decorrer de um dia.
Isso significa quase um pensamento a cada segundo que
passamos acordados. E, para boa parte das pessoas,
95% desses pensamentos são os mesmos do dia anterior.
Desses 60.000 pensamentos que você está tendo hoje,
quantos serão negativos e limitantes e quantos
serão positivos, desafiadores e animadores?
Talvez você devesse ficar de olho em seus pensamentos.
Tente o que segue: nesta próxima hora, preste atenção
aos seus pensamentos e tome nota de quantos são negativos
em comparação com os positivos. Todos os dias você tem
milhares de oportunidades de mudar o rumo da sua vida,
simplesmente mudando a direção dos seus pensamentos.
Você vem tendo os mesmos pensamentos antigos, desgastados
e limitantes que tem tido por anos a fio? Ou você está
constantemente desafiando a si mesmo com pensamentos novos,
determinados e positivos?
Preste atenção ao que pensa e você descobrirá oportunidades
de crescimento inéditas.

A.D

sábado, 11 de janeiro de 2014

Consertei o Mundo!


Um cientista vivia trancado em seu laboratório, procurando respostas
para os problemas do mundo.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu sua sala, decidido a ajudá-lo.
Impaciente, o cientista pediu que o filho fosse brincar em outro lugar,
no entanto, sem sucesso.
Então procurou algum objeto que pudesse entreter a curiosidade do menino,
logo encontrando o mapa-múndi impresso na página de uma revista.
Recortou o mapa em vários pedaços, pegou um rolo de fita adesiva e entregou
tudo ao filho, dizendo:
- Você gosta de quebra-cabeças?
Então vou lhe dar o mundo, todo quebrado, para consertar.
Veja se consegue fazer tudo direitinho.
Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa.
Porém, algumas horas depois, ouviu a voz do filho:
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!
Incrédulo, o cientista levantou os olhos de suas anotações,
certo de que veria uma mapa sem sentido. Mas, para sua surpresa,
o mapa estava completo, com tudo em seus devidos lugares.
- Você não sabia como era o mundo, meu filho. Como conseguiu?
- Pai , eu não sabia como era o mundo, tentei consertar, mas não consegui.
Mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que, do outro lado,
havia a figura de um homem. Então lembrei disso, virei os recortes e comecei a
consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem,
virei a folha e vi que havia consertado o mundo.

Crônica do Amor.


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

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